sábado, 19 de março de 2011

Lagoa Vermelha, Boquinha da Mata, Boquim a Tabaroinha do Interior



Foto parcial da Pça da Laranja,
 onde já foi a Pç Getúlio Vargas
É tradição na história do município de Boquim se comemorar como data de aniversário o dia 21 de março como data festiva da cidade. Porém podemos ver que exatamente no ano de 1870 quando os representantes da Câmara Municipal pediam a mudança da sede administrativa da Lagoa Vermelha para o Buquim, como também a a construção de um cemitério ao governador da província(Relatório da província de 1870) Pois nossa história vem das primeiras décadas do século XIX. 
Em 1927, a povoação de  Salgado começou a se destacar e seus politicos começaram a ver necessidade de desmembrar-se de Boquim . E isso foi feito: em 4 de outubro de 1927 Salgado se tornou cidade. 
Somente  em 1938 é que a Vila do Boquim se tornou cidade. Com a construção da Linha Férrea décadas antes o município fazia transições comerciais com São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador e Aracaju, o que possibilitou o desenvolvimento de 63 indústrias formando um grande parque industrial. Para o entretimento dos munícipes e visitantes foi construído O Cine Santo Antonio (atual Igreja Presbiteriana, na av. Manoel Eugenio) o maior da região e podia comportar mais de 300 pessoas por sessão.
 No dia 21 de março o que se comemora é a mudança da sede administrativa da Lagoa Vermelha para o povoamento Buquim. Sendo que uma das datas mais antigas da nossa história começa no ano de 1835 e no dia 24 de abril de 1855 o povoamento se torna Vila. Podemos ter então ai pela primeira 176 anos e pela segunda iremos ainda comemorar 156 anos, a mesma idade da capital Aracaju.

Somente 141 anos de História?

José de Jesus Santos

Fazendo a leitura dos Livros de Batismos de 1866 a 1873 da Matriz de Sant’Anna da Lagoa Vermelha, Boquim, percebe-se que sua organização de registros difere e muito dos livros de batismo dos filhos de escravos da paróquia de Nossa Senhora da Piedade do Lagarto, o que mostra a independência não só a econômica da vila bem como nos registros eclesiásticos.

Os registros de batismo da Sant’Anna da Lagoa Vermelha não foram feitos separadamente para escravos e homens livres, enquanto os da Piedade do Lagarto existem livros diferenciados para o batismo. Enquanto nesta segunda se pode identificar local de batismo, nome da criança, sua cor, idade, mãe ou pais quando casados, o padre que batizou seus proprietários o livro de Batismo da Freguesia de Sant’Anna da Lagoa Vermelha resume-se em nome, idade, cor, mãe ou pais – mas não diz se são casados, proprietário, padrinhos e raramente aparece nome de outros padres que batizaram algumas crianças não escravas, o que nos faz pensar que o próprio vigário batizava e assinava os batismos.

A origem do Povoado Lagoa Vermelha se deu na primeira metade do século XIX com povoamento por proprietários de sesmarias que edificaram suas rústicas habitações para seus familiares e colonos que ali passassem para trabalho, a localidade tem como um de seus habitantes o Coronel José Baptista. No ano de 1868 o Atlas da Província do Império do Brazil na Comarca de Lagarto encontramos a Vila de Lagoa Vermelha já localiza a Lagoa Vermelha. (clique aqui e veja no recorte da foto)

Por volta de 1835 por determinação de lei provincial fora construído na região um Distrito de Paz, e uma sub-delegacia policial e para alunos do sexo masculino um cadeira de primeiras letras – Como todos os governos provinciais tinham o dever de anualmente um relatório de suas atividades vemos no Relatório Provincial de 1835 do governo de Dr. Manoel Ribeiro da Silva Lisboa (p.04) fora informado a publicação do edital de concurso para professores em alguns distritos da província, entre eles na “Alagôa Vermelha no Lagarto”, dando prazo para os interessados procurarem o salão do Palácio do governo.

Todavia como a maioria das cidades sergipanas oriundas de sesmarias doadas por Cristóvão de Barros por mérito a seus amigos e soldados a exemplo de Belchior Velho que recebeu uma em Itabaiana no ano de 1603. Em lotes assim se desenvolvem crescem as freguesias e vilas como povoado Lagoa Vermelha que se alarga a ponto de se tornar independente da Freguesia de N. S. da Piedade do Lagarto como vemos a seguir sua trajetória territorial.

Sob os prescritos da lei de 24 de abril do ano de 1855 foi elevada à freguesia o então povoado da Lagoa vermelha, com denominação de Freguesia de Senhora Sant’Ana – sendo elevada dois anos depois à vila no dia 20 de fevereiro com sua divisão descrita abaixo:[1]

A freguesia
principiará nas Quebradas grandes, seguindo a estrada de S. Cristóvão para a vila de Lagarto, até o sítio Pau Grande; deste seguirá para o sul pelas divisões do distrito da Lagoa Vermelha até a estrada do Limoeiro, seguirá a direção desta até encontrar o engenho Mutumbo, e daí continuará pela estrada de José Calitende e passando pelo lado de baixo do sitio Pastor irá ter ao engenho Boi, e este ao engenho Moendas, caminhando a norte até onde começou.

Devido às constantes enchentes na região no ano de 1869 – quando ocorreu a maior enchente na vila os moradores resolveram ocupar o sitio Boquinha da Mata, que teve suas terras doadas por seu proprietário Antônio Araujo.


Somente em 1870 no dia 21 de março a sede da freguesia de Sant’Anna da Lagoa Vermelha passou para o povoamento de Boquim. Enquanto as Câmaras municipais faziam seus pedidos ao regente provincial – a exemplo da Câmara de Lagarto que solicita entre outras coisas os aperfeiçoamentos da Matriz e do Cemitério, podemos ainda ter o privilegio de ler a Fala do Presidente da província no seu relatório de 1870 no item de municipalidade sobre o caso da transferência da sede a pedido da Câmara Municipal da “Lagôa Vermelha”.

Sobre o nome Boquim há muitas hipóteses – a mais conhecida seria a junção do nome do sitio povoado após a enchente de 1869, Buquinha da Mata, porém tal observação é de se contestar com segurança de posse dos registros do livro de batismo de 1866 – 1873 da Matriz de Sant’Anna da Lagoa Vermelha e logo do Buquim – onde mostra que a nomenclatura Buquim vinha sendo usada bem antes da enchente de 1869 que provocou o abandono da região, assim pudemos transcrever  páginas do livro.

Aos vinte e quatro dias do mes de Dezembro de 1866 nesta Matriz de Sant’Anna da Lagoa Vermelha batisei solenemente Severiano,pardo, idade quatro meses, natural de Francisca, escravos de Antonio Manuel de Silqueira, sendo padrinhos Antonio Rodrigues de Santanna e Maria Manoela (p.12, Livro de Batismo)
(...)
No primeiro dia do mes de Abril de 1868 nesta Matriz de Sant’Anna do Buquim batisei solenemente a Demetrio, branco, idade quatro meses, legitimo de David Geminiano de Britto e Mariana Leopuldina de Almeida, sendo padrinho Antonio Corrêa de Seabra. (grifos nosso)
O vgrº: Manoel Nogueira Cravo.
(...)


Como se pode analisar por algum motivo nesta pagina do livro em abril de mil oitocentos e sessenta e oito fora demudada a nomenclatura da Matriz de Sant’Anna da Lagoa Vermelha para Matriz de Sant’Anna do Buquim e não o simples fato da junção do nome da localidade Buquinha da Mata como se tem até hoje registrado nos anais da historiografia boquinhense – a influencia da Igreja pode sim ter influenciado e muito nessa decisão uma vez que o registro da maior enchente sofrida por aquela população fora no ano de 1869 – infelizmente os relatórios sobre esta enchente não foram possíveis de encontrar. Fazendo a leitura das paginas sucessoras e as 38 e 39 anteriores detectamos registros de em datas do mês de abril e maio com o termo de Lagoa Vermelha – contudo das paginas 40 do ano de 1868 em diante já utiliza o termo da Matriz de Sant’Anna do Buquim. Qual data real foi utilizada fica ai a incógnita.

Como Vila do Boquim sob a lei de 05 de maio de 1871 a freguesia de Sant’Ana do Boquim foi repartida com Riachão, Lagarto e Itabaianinha da seguinte forma:

começará nas Quebradas e seguindo estrada de S.Cristóvão para o Lagarto, irá ao sítio Pau Grande; deste à cabeceira do Riacho dos Mangues; por este abaixo até encontrar a estrada real da Estância para o Lagarto, daí rumo direito ao engenho Palma, que pertencerá ao Boquim, daí pela estrada que vai ao Sipó, de José Francisco Borges, que pertencerá ao Riachão, e deste pela estrada que segue o engenho Limoeiro que ficará pertencendo a Itabaianinha, de onde partirá pela estrada de Pedrinhas até as cabeceiras do riacho Mutumbo, e descendo por este até a estiva Calitende de onde subirá, rumo direito, a casa do finado João Inês, que pertencerá a Boquim descendo a estrada real até o sítio Roxa que ficará pertencendo a freguesia do Boquim, e seguindo a estrada que vai ao riacho das Cobras; seguirá riacho acima ao sitio Cedro,de onde seguirá pela estrada real que vai ao riacho d’Água Boa, sitio Moendas e deste pela estrada que vai à casa do finado Antonio Vieira e daí pela estrada que vai a Quebradas,onde principiou.[1]

Neste cenário a vida dos seus habitantes como em toda a província sergipana foi movida pela economia de subsistência para sua maioria enquanto em meio à fazenda e engenhos a família escrava de uma forma ou de outra se constituía.
Se considerarmos o raciocínio onomástico de Mott 
sugerindo que também em Sergipe, como foi constatado na vizinha Bahia , pessoas de condições socioeconômica inferior, notadamente pardos e pretos,assim como descendentes de índios, adotavam preferencialmente sobrenomes religiosos, enquanto descendentes de famílias mais abastadas, preferiam sobrenomes leigos,algumas portanto dois nomes(...)[2]

Encontraremos muitos nomes da população livre com a exortação aos nomes de santos como São Pedro, São Jose e ao Divino Espírito Santo e para os nomes Fonceca, Doria, Freitas, Freitas, Borges, Barbosa... O que nos felicitaria deduzir alguns dos habitantes pobres da povoação de Lagoa Vermelha e aqueles melhor sucedidos.










[1] Cf. FREIRE, op. cit. p. 98
[2] Cf. Mott, op. cit. p. 93









[1] FREIRE, Felisbelo, Historia Territorial de Sergipe. Aracaju: Sociedade Editorial de Sergipe. Secretaria de Estado da Cultura. FUNDEPAH, 1995. p.98
 fonte: SANTOS   , José de Jesus. Entre engenhos e fazendas: a formação da família escrava na vila Lagoa Vermelha do Boquim (1866-1873) / José de Jesus Santos– Lagarto, SE : 2009

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